28 jan

 

O Curso teve início em 21 de outubro de 2000 e término em 15 de setembro de 2001. Foi oferecido pelo Instituto Tempos Modernos sob a coordenação de Andreneide Dantas e Joceri Merlin.

Meu objetivo inicial era o de buscar novos conhecimentos, rever conceitos já aprendidos, um melhor aprimoramento para executar bem meu trabalho profissional.

Terminei minha Faculdade “FMU” em 1994. Nunca trabalhei na áres, optei por cuidar da minha familia, meu lar.

Porém, esse desejo que ficou reprimido durante esses 06 anos, retornou com muitas expectativas e também muitas inseguranças.

Como retornar? Qual o melhor caminho a tomar?

Primeiramente, procurei o CRP para legalizar minha situação financeira e poder atuar como psicóloga.procurei escolas que pudessem me oferecer cursos de atualização, aperfeiçoamento, especializações.

Quero voltar, mas com os pés no chão, consciente de que a tarefa de lidar com o “Ser Humano” é de muita responsabilidade. É atrás dessa dignidade profissional que estou trabalhando.

Através da minha irmã (Inês) conheci o curso e a escola.

No início não entendia muito a escolha “Psicanálise com Crianças” e também a diferênça entre Psicanálise e Psicanálise com Crianças.

No decorrer do uso aprendi que a Psicanálise não trabalha com especificações, mais sim com o sujeito. A diferêça que existe entre uma criança e um adulto é em relação a sexualidade. O analista não é especialista, o que ocorre é que no atendimento a criança, existem algumas especificações. O restante fica para resolver na minha própria análise.

Mas que sujeito é esse?

É o sujeito do inconsciente, sem identidade, sem idade cronológica. Aquele que anuncia significados, que ignora.
Antes de nascermos já somos esperados, já existimos na fala de nossoa antecessores. É um saber pré-existente, que o determina, é um lugar chamado Outro. É por isso que o sujeito pré-existente ignora o que diz, porque o que diz provém do Outro da linguagem.

Poe exemplo, quando uma criança vem ao mundo é designado po “é menino ou é menina”. E um destino anunciado por aqueles que o escolhem, um destino que parece ser incontável. Porém, o ser humano não é só biológico e é de imediato imerso na linguagem. O bebê nasce menino ou menina, mas além disso algumas coisas precisam acontecer para conseguir se tornar homem ou mulher.

O bebê a partir da mãe vai conhecer seu corpo. A palavara tem potência transformadora. Sua inscrição, o corpo e suas funções entram em falência. É no corpo da mãe que a criança colhe suas primeiras representações , ou seja, só há boca porque há seio, só há corpo porque há toque, só há equilíbrio porque há o olhar (da mãe ou de quem ocupa esse lugar).

Muitas crianças são portadoras dos dsejos de seus pais.
Deseja o filho para que?
Na verdade a criança só nasce se tiver um lugar da falta em relação ao desejo de seus pais.
Embora negado, é um desejo inconsciente.

A criança vem para ocupar o lugar da falta que existe para toda a mulhe, vem no lugar do falo que falta a mãe, vem para ocupar uma promessa que foi feita lá na sua infância, em relação ao Complexo de Édipo.

Em psicanálise falo (pênis) é objeto do libido durante o estágio da sexualidade infantil, isto é, antes do desenvolvimento da primazia genital.

Enquanto a criança ocupa lugar de falo, o que falta a mãe, a criança se eitua somente no Outro e permanece estranho a si.

É preciso que alguém “o analista” movido pelo desejo de escutar retorne ao sujeito aquilo que foi dito na ignorância.

Desde o desmame até a vida adulta é na separação que se inscreve a história. Muitas mães não suportando estas separações tornam difíceis a independência de seus filhos. Sintomas podem vir a se inscrever no corpo de seus filhos se a mãe não efetiva estes estes limites que significam sua falta.

Uma criança precisa ser significada não apenas como uma criança que nasceu, um bebê, mas como um filho.

É preciso que ela (a criança) saiba o valor da sua vida.

Analisar crianças é torná-las responsáveis por seus atos, escutá-los como “sujeito” e não como filhos.

O psicanalista vem para denunciar o mal estar nas relações humanas, proporcionando um lugar de produção de um dizer, onde o sujeito se implique no que diz e possa fazer mudanças e rupturas que o impulsionem na direção da cura.

A psicanálise possibilita que o sujeito adulto ou criança signifique ou resignifique sua história singular, podendo mudar o rumo da sua história.

As crianças não são detentoras do pedido de análise, não pagam o tratamento e não podem decidir sozinhas sobre os horários e é também importante lembrar a diferênça de sexualidade do adulto e da criança (só com o início da puberdade, é atingida a sexualidade genital adulta).

Geralmente são os pais que nos procuram para pedir uma análise para os filhos, ou como protexto para pedir análise para si mesmo. Outros porque o médico pediatra, a escola indicou.

O curso diz que o sujeito que fala difere do sujeito dos outros discursos: médio, pedagógico, psicólogo. Estes incluem a criança num saber técnico que busca um ideal de perfeição, normalidade e um percurso de desenvolvimento.

É preciso como “analista” escutar os que nos procuram e ler de quem é a demanda. Dar a importância as Entrevistas Preliminares. É o tempo necessário para que o paciente na sua fala, na sua queixa, possa indagar-se sobre seu sintoma e que sua queixa dê lugar para o enigma.

É importante para que o tratamento tenha lugar estabelecer uma transferência para os pais como condição de transferência com a criança.

Precisamos como analistas consultar a criança para ver se ela concorda em vir falar-nos.

A análise permite para a criança a possibilidade de castração, onde o limite não está operando, os analistas sustentam as leis.

O trabalho analítico é justamente o de tornar as crianças ou adultos responsáveis pelos seus atos, às vezes a única possibilidade que uma criança tem de se responsabilizar é decidindo não ir á análise.

É preciso diferenciar a criança de seus pais, escutá-la apenas como sujeito. Ressalto a importância de transferência para que a demanda se constitua e o saber não sabido “emerja”.

Com crianças percebemos que está ocorrendo transferência quando algo acontece,o jogo o brinquedo, passa a circular pela sala durante a sessão analítica, ou mesmo quando nos chame para participar do jogo. Pergunte o vamos fazer hoje? Etc.

O diagnóstico na clínica com crianças deve ser buscado no registro do simbólico e em relação ao complexo de Édipo. O brincar das crianças podem simbolizar suas ansiedades, suas fantasias.

É preciso que no triângulo filho-mãe-falo, haja a incidência no nome do pai que leberte a criança de ferecer-se a mãe como aquilo qua falta a ela.

O pai é quem pode tirar a criança do impasse de ser o falo da mãe, se a mãe destrói completamente a incidência da função paterna, a metáfora não ocorre.

Trabalhar na clínica com criança implica uma responsabilidade e um desejo do analista que tem a ver com aventura de poder suportar esta fratura no saber, adimensão da própria castração.

A psicanálise é baseada em três regras básicas que funcionam também com as crianças. A associação livre (do lado do paciente) e a atenção flutuante e abstinência (do lado do analista). Isto para que uma análise se dê a contento.

É preciso que o analista forneça ferrramentas necessárias para a abertura do inconsciente.

Cada criança escolhe um análise, umas escolhem desenhar, outras jogar, verbalizar, cantar.

Na análise com crianças muito novas ou mesmo com adolescentes muitas vezes nos valemos de jogos, desenhos, como forma de associações livres.

Ao brincar, as crianças evidenciam seus sintomas, o sintoma familiar.

É comum encontrar nas clínicas crianças que ao brincar não encontram sustentação para encenar um faz- de-conta. Pois para elas, tudo é estampado, não há nada para imaginar, para ser investigado. Diferente de nossa infância onde as imagens eram constituídas em nossa imaginação ao ouvirmos contos, músicas, histórias contadas por nossas avós, tias. Hoje os livros infantis são plenos de imagens. Não há preval~encia da palavra e sim das imagens.

Pouco a pouco a televisão, os computadores, começaram a ganhar terreno dentro da pespectiva da interatividade. Nas telas do cinema, televisão, vídeo-game, crianças assistem, mesmo que não busquem cenas ligadas a violência, sexualidade, terror,etc.

Esse novo lugar que a criança ocupa gera solidão, muitos se perdem sem saber que lugar é esse e o que se espera dele.

A criança em análise não exige do analista apenas atenção flutuantes, mas colocação de limites, disposiçaõ de jogar, de brincar.

O sujeito (a criança) é suporte das tenções inconscientes dos pais e está marcada pelo não dito destas tenções e segredos.

Não se trata de culparmos os pais pelos sintomas,mas de sabermos que as crianças carregam sintomas, ressonância libidinais inconscientes dos pais.

Como o analista lê a mensagem dos desenhos que as crianças fazem em análise?

O enigma que um traçado, um rabisco ou desenho representa, somente pode ser desvendado pelo seu autor. O que percebemos é que existe uma evolução do rabisco até a produção alfabética.

Em análise convidamos a criança a falarem sobre o que fizeram, é nesta fala que aparecerá o sujeito da encenação.

O Outro do desenho do jogo, estão regidos pela lei da linguagem.

Muitas pessoas acreditam que a criança vem para análise brincar.

Na análise não brincamos, trabalhamos muito.

Todas essas produções inconscientes da criança são importantes para o tratamento.

Para Freud a criança brinca onde o adulto fantasia e, ao interrompermos as possibilidades lúdicas de uma criança interrompe-se o meio que ele representa para ir armando suas próprias fantasias.

É através dos jogos, desenhos, que a criança pode elaborar o comflito édipico e sua angústia de castração.

O jogo é fundamental tanto para a criança quanto para o adulto que não o abandona (tudo o que dá prazer, retorna).

O sonho, além de ter como função biológica, ser o guardião do sono, é importante saber que o que dirige o sonho é um desejo e seu conteúdo é a realização deste.

Os sonhos que as crianças tem são frequentemente pura realizações de desejos e não apenas enígmas a serem decifrados.

É experiência do dia que deixou alguma mágoa ou algum anseio não satisfeito. É uma forma de recordar. Com crianças contamos apenas com restos diurnos para que o sonho seja produzido. É sempre material infantil. Invariavelmente ligado ao Complexo de Édipo e Castração.

A criança sonha para elaborar algo que não é possível de outra forma. Como por exemplo: monstros, seres perseguidores, que matam o pai, os irmãos, os rivais.

Existem final de análise para crianças?

Se a análise contribuir para um corte que um pai (lei) sozinho não pode fazer, se possibilitar para a criança um lugar mais claro e definido na familia, liberto do jogo materno, podemos considerar como o desenlace de uma análise.

A análise proporciona uma troca de posição. Tanto para a criança como para o adulto, ambos sujeitos desejantes.

É comum quando uma criança não apresenta mais as queixas que a trouxeram a análise demonstrarem desejo de descobrir outros saberes, outros lugares, concordando que é a partir daí que poderão se decfrontar com outros saberes, valendo-se do que aprenderam em sua própria análise.

Para o paciente é importante saber que não esteja mais sofrendo seus sintomas e tenha superado suas ansiedades e inibições e que o analista julgue que não há necessidade de temer uma repetição no processo patológico em apreço.

Obs: Se há necessidades externas de alcançar o objetivo, é melhor falar em análise inacabada.

Ao finalizar o curso restou-me uma questão? Como alguém pode tornar-se um analista?
P/ Freud - “Através do seus próprios sonhos”
P/ Lacan - “O fim da análise produz um analista”

O analista escuta e marca as falhas, lê os equívocos que as palavras transportam. Permitem que aquele que fala escute o que não escutava antes, veja o que não podia ser visto, oque não sabia.

Isso só poderá acontecer se o analista tiver passado pela sua própria análise. “purificaçaõ de Alma ” em termos Freudianos.

AGRADECIMENTOS

Aos grandes mestres da Psicanálise Freud e Lacan, as coordenadoras do curso e as alunas que através de suas experiência clínicas trouxeram exemplo que facilitaram o entendimento teoria-prática .

CONCLUSÃO

Os objetivos iniciais foram satisfeitos. Apliaram-se novos horizontes e o reconhecimento pessoal da necessidade não só da coninuidade dos estudos como o mais importante ainda o de iniciar Minha Própria Análise.

Célia Regina Roder Martinez
Psicóloga – Tel.: 6946-8481
Trabalho apresentado na Conclusão do curso “Psicanálise com Crianças – 2001″ no Instituto Tempos Modernos.

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