10 fev

Somos seres falantes e por essa razão contamos com o simbólico, mas também sofremos as consequências disto. A fala…a linguagem tanto pode libertar um sujeito quanto aprisioná-lo, e o aprisionamento é o que testemunhamos nos dias de hoje, principalmente porque a palavra está tão vazia de sentido e valendo pouco – para a grande maioria. Ouvimos as pessoas falarem e não cumprirem o que dizem, afirmarem que falaram por falar; se enganaram, esqueceram ou, que não tem importância.

Hoje, procura-se a causa das doenças até no fio de cabelo, existe desde o mapeamento cerebral, medular, hormonal à investigação do DNA. Mas, o que muitos não fazem, é a investigação no discurso, para descobrir as causas inconscientes do adoecer.

Não se pode contestar que a ciência tem feito descobertas importantes para a humanidade, que tem salvado vidas, porém, em alguns casos, tratam o sujeito como um corpo, reduzindo-o ao orgânico apartado de sua fala.

E quanto ás mazelas e sintomas que cada um faz para suportar a dor de existir? Qual discurso existe para as doenças da “alma”, essas que não saram com medicamentos?

Para os sujeitos que não se reduzem a serem estudados e cortados, nem se drogarem com medicamentos – que no final das contas são prescritos para muitos males – a psicanálise oferece um lugar, para que descubram o porque de seu sofrimento.

“A análise é árdua e faz sofrer. Mas quando se está desmoronando sob o peso das palavras recalcadas, das condutas obrigatórias, das aparências a serem salvas, quando a imagem que se tem de si mesmo torna-se insuportável, o remédio é esse. Pelo menos, eu o experimentei e guardo por Jacques Lacan uma gratidão infinita (…) Não mais sentir vergonha de si mesmo é a realização da liberdade (…). Isso é o que uma psicanálise bem conduzida ensina aos que lhe pedem socorro”.Françoise Giroud. Le Nouvel Observateur nº 1610, Setembro de 1995.

O depoimento acima, mostra um pouco sobre o trabalho que uma análise possibilita. No início, é comum que as queixas se refiram à mãe, pai, namorado (a), chefe, destino etc. Chegam em posição de “objetos”, acreditando-se vítimas, que nada tem a ver com o que lhes acontece e nada podem fazer a respeito do mal-estar no qual se encontram.

O trabalho de análise é mostrar ao paciente sua implicação no sofrimento. Com Freud, descobrimos que um sintoma sempre diz algo, seja qual for: depressão, stress, dificuldade no trabalho, em ganhar dinheiro, problema nos relacionamentos amorosos, dependência de drogas, dificuldades escolares, etc, – mesmo que seja em forma de enigma.

A análise possibilita para o sujeito, descobrir o texto enigmático desse discurso que ele repete tantas vezes sem saber exatamente o que diz.

A felicidade ou bem-estar não está inscrita nos genes, nem nos neurônios, cada sujeito é responsável pelo que lhe acontece.

Cada um, tem uma história singular e o trabalho analítico é escutar e possibilitar que ele descubra a causa inconsciente de seu sofrimento. E esta descoberta o colocará em outra posição. Os pacientes descrevem a experiência de análise, como algo que deu sentido à sua existência, aliviando suas dores, pois conseguem desfazer os nós sintomáticos que são resultados de sua história.

Durante a fala em análise, o paciente descobre o que está recalcando e porque repete experiências em sua vida, que na maioria das vezes lhe causam transtornos e danos, reatualizando para ele experiências vividas anteriormente. Dessa forma, podem elaborar traumas, fazer escolhas conscientes em vez de continuarem “escravos” de seu inconsciente e de seu gozo!

Andreneide Dantas

Psicanalista

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