10 fev

A Questão do desejo nos jogos Olímpicos de Sidney

Proponho fazer neste trabalho uma relação entre as perdas de medalhas , nos Jogos Olímpicos de Sidney, com a questão do desejo através de uma leitura psicanalítica.

Acompanhando o evento percebi que determinados acontecintos se relacionavam mais com a questão do desejo, do desejo do sujeito de que, propriamente, com a falta de patrocínio. Pois ouvimos sempre relacionarem a falta de medalhas com a falta de recursos, será que é isso mesmo que acontece?

Nas principais modalidades como a natação, o vôlei e o basquete que têm grandes empresas patrocinadoras investindo, inclusive em viagens e torneios para que essses atletas tenham alguma experiência antes de enfrentarem uma Olimpíada e que, mesmo assim, com todo esse investimento essas equipes não somente através de patrocínio teremos medalhas? Claro que a questão financeira contribui para esta finalidade, mas se o sujeito/atleta não aparece com seu desejo de que adiantará tantos patrocínios?

Para exemplificar vejamos o caso do atleta Rodrigo Pessoa: um campeão mundial cujo desejo está voltado para obter uma medalha olímpica, pois segundo ele é a única que lhe falta.

É através de uma falta que o desejo aparece, e nesse caso, podemos relacionar que após a conquista de uma medalha olímpica na categoria conjunto onde a equipe na qual participava ficou com segundo lugar na competição,obtendo a medalha de prata, não houve mais interesse em participar pois conseguiu o que queria, ter uma medalha olímpica. Desse modo pensei que não havia mais o por que estar competind, na etapa individual, se conseguiu a medalha que tanto queria e, sendo assim, qual o desejo de continuar competindo se o mesmo for a alcançado? Para essa resposta temos o próprio comportamento do atleta em questão: a sua desclassificação.

E o que pensar a respeito da torção no pé do nadador Xuxa alguns dias antes da competição? Segundo ele foi uma coisa boba e onde a mesma ocorreu em casa. Lembrando de uma das aulas em que se falou sobre o sintoma, de que este vem para afastar o desejo do sujeito e, neste caso, fiquei pensando qual seria o desejo desse nadador, já que o mesmo possui patrocínio, reconhecimento, medalhas, qual seria o seu desejo nestes jogos? Pois o que vimos, foi que se utilizou desse sintoma para justificar o seu baixo desempenho, ou a sua falta de desejo.

Agora fazendo um paralelo com a para-olimpíada em que os atletas deficientes físicos alcançaram 23 medalhas contra 12 medalhas dos atletas normais onde estaria tanta diferença?

Os atletas para-olímpicos por terem uma falta real no corpo, não ter um braço, uma perna, ser paralítico não se colocam em um lugar de morto, ou seja, eles saem desse lugar de ser a falta dando espaço para que o desejo apareçae, com isso, não gozam com o próprio sofrimento, com o sintoma.

A questão do desejo de atleta, aqui no caso, foi fundamental para o seu desempenho nesta competição, muito mais do que a questão de patrocínio. O desejo faz com que o sujeito caminhe sem precisar adoecer, porque quando o sintoma aparece no lugar do desejo o sujeito apenas goza.

Karla Lunet Álvares de Azevedo
Psicóloga- Tel.: 3722-3687 (consultório)
Trabalho apresentado na Conclusão curso “Sobre o Desejo” no Instituto Tempos Modernos.

 

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