10 fev

Carta ao Professor

Vocês não devem compreender porque aqueles que foram seus queridos alunos nas primeiras séries e lhe enchiam de elogios e beijos, agora á partir da 5a série lhe torcem o nariz, vez por outra passa por vocês e nem olham ou fingem que não os vê.

Vocês tentam fazer de conta que não estão nem aí, afinal de contas eles são conhecidos pejorativamente, como aborrecentes, essa que é uma nova formação, fruto da junção de duas palavras: adolescentes e aborrecidos.

Como fazer para compreender essas mudanças?

Pois bem, vamos lançar mão dos ensinamentos daquele que foi professor um dia. Não de crianças, mas de adultos, que por sua vez, também foi aluno antes de ser professor. Estamos falando do professor Sigmund Freud, professor e psicanalista.

Esse professor nos falou em um famoso artigo de 1914 intitulado, Psicologia do Escolar, “que é difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e teve importância maior foi a nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas, ou pela personalidade de nossos mestres”.

Foi com ele que também aprendemos, que nos primeiros anos de vida são os pais aqueles que tem maior influência na educação de seus filhos. Mostrando-lhes o mundo, educando-os com todo amor e carinho e também com disciplina. E em um momento posterior, à partir do período chamado de latência, que é quando a criança vai aprender  a ler e a escrever, quem tomará esse lugar como substituto dos pais são os professores. Que serão amados e terão o poder de influenciar seus alunos despertando-lhe o desejo de aprender.

Os professores herdam a carga de sentimentos amorosos que outrora era dirigido aos pais, e também herdarão os sentimentos ambivalentes de amor e ódio, fruto da conta edípica de cada um.

Sabemos também que na adolescência, é natural os filhos se rebelarem contra os pais, já que esses não terão mais o lugar que tinham antes – lugar de heróis e de detentores da verdade. E isso acontece, porque psiquicamente acontece uma revolução, onde a mãe e principalmente o pai são criticados, e um afastamento característico acontece, para que eles dirijam esse amor para outros, fora do âmbito familiar.

E se os pais não são mais tidos como os detentores da verdade e os mais amados, se temos os sentimentos contraditórios próprios dessa fase, porque não aconteceria o mesmo com vocês, que são os substitutos deles?

Por isso, vocês vêem seus alunos tratando-os ora com carinho e respeito, ora com desdém e criticas ferrenhas. Atitudes ambivalentes como já disse, que são deslocamentos de atitudes dirigida aos pais em casa.

E sabendo do desejo, alegria e dos percalços próprios dessa função, que é a de transmitir para um outro ser em formação, o que aprendeu com outro – professor – que dirigimos nossos parabéns. Parabéns por não retroceder frente a uma missão quase im-possível, a missão de ensinar.

(Comemoração ao Dia do Professor – Outubro de 2008)

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