10 fev

Um Perfil dos Perfis

Existem os que adicionam vários “amigos”, quanto mais “amigos’, mais “amados’, e “sociáveis”. Não são os amigos que interessa, mas a quantidade. (números)
Tem aqueles que postam fotos de tudo o que fazem e também relatam o que fazem do dia. Realmente pode ser interessante, mas para quem?

Há os que “vivem” olhando os perfis dos outros e se perguntando: Porque não eu?

Os outros desabafos são ótimos, normalmente querem mostrar para os outros que superou algo.

Tem os otimistas que estão sempre passando a imagem que “tudo” vai ficar bem. Legal, mais irreal.

Os pessimistas que sempre relatam como as coisas são difíceis. O que é raro, pois a maioria prefere “sair bem na foto”. Talvez buscando atenção e compreensão para seus males.

Sem contar os que ficam horas buscando na net, notícias ou piadas, coisas engraçadas ou curiosas para que os “outros” também possam “curtir”.

Não quero com isso, diminuir ou ridicularizar as idéias ou comportamento dos que utilizam as redes sociais. Afinal, eu também faço parte dela e acho interessante e importante em muitos casos, quando bem utilizados.

Sei que muitos usam as “redes sociais” para camuflar seus infortúnios, frustrações e tristezas, se não, porque busca-se tanto os “outros” e a aceitação deles?
Importante seria que cada um se perguntasse o que realmente desejam buscar. E se questionar sobre os ‘porquês’ dessas buscas.

Sei que a socialização é importante e saudável quando se torna uma ferramenta para se fazer bem, quem sabe tentar ajudar os outros. Na medida em que esses outros desejarem, claro!

Então, como escuto diariamente na minha prática analítica sobre o tema; ‘rede social’, vejo o quanto os perfis retratam sintomas importantes como a insegurança, medos, fantasia de buscar o que acreditam ser o “ideal”. Quando falo em crença no “ideal” é aquela “necessidade” de adequação, de ser e estar em um padrão, seja financeiro, emocional, educacional, intelectual, filosófico, etc.

Chamo atenção que o “social” quando nivelado, não pode ser para todos, é uma loucura esse ideal e principalmente se for coletivo. Visto a singularidade de cada um.

O fascinante é que o individual, o perfil “real” de cada um seja livre da busca pela aceitação, que primeiro o individuo SE ACEITE, se conheça e reconheça o que busca na rede, o que realmente deseja, sem dependência da respostas de COMENTÁRIOS, do MURAL ou do CURTIR dos outros. Porque sei que muitas pessoas passam muito tempo buscando respostas.

Escutei algo que me chamou atenção: ” O face é como uma geladeira, a gente abre várias vezes, mesmo sabendo que não tem nada”.

Quando a busca é pela resposta dos “outros”, o indivíduo só pode ficar “vazio”.

Mas Quando se sabe o que deseja é diferente, existe um propósito benéfico. Não uma busca sintomática pelo nada.

Sendo assim, as redes sociais podem até parecer com a geladeira, mas se buscar no lugar certo, pode encontrar algo de bom. Lógico que não vai preencher o vazio, ainda bem. Porque se pode continuar buscando…

Ana Carlênia Oliveira Bastos
Psicanalista
Clínica Escuta Analítica

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