27 mai

O lugar que o sintoma da criança ocupa é o de responder ao que há de sintomático na estrutura familiar (Lacan)

O sintoma, definindo-se nesse contexto como o representante da verdade, pode representar a verdade do casal familiar.

O caráter pulsional da criança associado à sua fragilidade, desperta nos adultos afetos recalcados ligados à sua própria infância. O narcisismo dos pais faz com que desejem ou, esperem sucesso dos seus filhos. ‘A criança sempre tem algo a que se recriminar, os pais não cansam de lembra-las disso, ela é, na maioria das vezes, culpada de não estar à altura das esperanças depositadas nelas. Muitas vezes essa culpa tem como sintoma o fracasso escolar, desinteresse, estado depressivo.

Existe uma culpa mais dissimulada que é ligada ao conflito edípico.

Toda criança deseja que um dos pais desapareça para ficar com o outro. Quando os pais se separam, chegam a acreditar que seu desejo se realizou.

Para as crianças vítimas de abusos, sevícias ou incesto, a culpa é muito mais complexa.

É ‘raro’ elas denunciarem os atos dos pais, ou parentes. Para as crianças significa uma passagem ao ato de suas próprias fantasias. É função do pai marcar essa linha intransponível entre a fantasia e a realidade.

Outra questão importante na análise com crianças é, que, não se pode excluir os pais, pois se não mantivermos com eles um laço que nos possibilita trabalhar, pode ocorrer a interrupção dessa análise ou a ruptura do equilíbrio familiar.

A abordagem psicanalítica é um modo de reencontrar a criança que se esconde atrás do aluno, o sujeito que se esconde por trás da pessoa e, muitas vezes se torna o porta voz com os professores, pois os terapeutas não são pedagogos.  E não poucas vezes orientam os pais para que procurem sua própria análise.

Maria do Carmo Mucciolo

Psicanalista

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