26 jun

Depressão

De qual sofrimento estamos falando?

Segundo a Organização Mundial de Saúde OMS (World Helth Organization) a Depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo e os dados que esse órgão acreditava que iria ser atingido em 2030, com a previsão de atingir 9,8% do total de vida saudável perdidos para essa doença, alarmantemente, foi atingido em 2010. Vinte anos antes do previsto (Folha de S. Paulo dezembro de 2014 com reportagem de Rodolfo Lucena e Mariana Versolato).

Sendo a doença que mais incapacita no mundo, esses dados merecem que prestemos mais atenção! Pois milhões de vidas são atingidas e ou interceptadas, uma vez que o número de suicídios decorrente desse estado de sofrimento é muito grande. Principalmente entre adolescentes.

Mesmo com toda a informação disponível nos mais diversos meios de comunicação, não é incomum que ainda encontremos muitos pré-conceitos, e uma outra informação muito importante é que nem todo sofrimento psíquico é Depressão. Entretanto, precisa sim que se preste atenção aos estados de sofrimentos de cada sujeito. Em vez de minimizá-los e interpretá-los como um sofrimento menor do que o de uma doença orgânica e assim acreditar que o tempo irá curá-lo. É o contrário o que vemos acontecer, pois se o sujeito não procurar uma análise e não tratar seus sofrimentos, a consequência será a de um mal muito maior, como disse acima.

Hoje em dia temos um aumento de diagnósticos de Depressão, e se por um lado sabemos que mais pessoas tiveram acesso ao uso de planos de saúde, não devemos esquecer que existem também interesses econômicos envolvidos. Logo, o que encontramos muitas vezes são interpretações equivocadas que atribui o estado de depressão a um resultado somente da alteração bioquímica do cérebro, deixando de lado o fato de que somos seres falantes, portanto, afetados pelo que dizemos, sentimos, pensamos e também pelo que calamos.

Não podemos reduzir o sofrimento, o mal-estar e as angústias, somente a um mal funcionamento dos neurotransmissores do cérebro, pois isso nos reduzem a ser um animal. Visto que, fazer isso é reduzir o ser falante a um corpo orgânico. E reduzi-lo a um corpo, é deixar de fora sua condição humana, condição de ser falante, a de ter um corpo e não sê-lo (como aprendemos com o psicanalista JacquesLacan), a de ser responsável pelo que lhe acontece. E quando isso é retirado do sujeito, seu sofrimento é reduzido a um mal funcionamento neurobiológico e não a um sofrimento psíquico que afeta seu corpo!

Precisamos fazer uma conta rápida: quanto mais as pessoas rechaçam o fato de que por serem falantes são afetadas pelo que dizem, quanto mais esquecem que são seres de linguagem, mais se reduzem a um corpo e mais adoece!

Dessa forma, o sujeito não é mais responsável por seu destino, ele é uma “marionete” dele e de seu corpo adoecido e enlouquecido pela sua fala e seus afetos.

A Depressão é resultado do sofrimento do ser falante, de como cada um é atingido por sua história familiar e por seu inconsciente, por perdas e lutos que não foram elaborados: separações, “perda” da infância, da adolescência, morte de ente queridos, o fato de ceder o seu desejo, culpas inconscientes…

 E o inconsciente afeta diretamente o corpo!

É comprovado que as novas medicações trazem resultados como uma alteração químico-cerebral que ajuda alguns pacientes a se sentirem melhor, a produzir serotonina e sair da depressão profunda, mas se esse sujeito não fizer psicanálise, não procurar falar sobre seu sofrimento, não poderá trabalhar as causas que o levaram a depressão ou a outra forma de sofrimento psíquico.

Existem pacientes com o diagnóstico de depressão que tomam medicações, e alguns há muito tempo e não melhoram. E não melhoram, porque não falam sobre o que sentem, nesse caso a medicação tem o efeito de amordaçar o sujeito. Pois, a culpa inconsciente, a angústia, insatisfação ou a capacidade de fazer escolhas para ter saúde e felicidade, não está inscrita nos genes nem na neuroquímica do cérebro e sim na escolha ética de cada um, em se fazer responsável pelo que deseja, diz e sente.

É muito claro que os pacientes diagnosticados com depressão, tem problemas em desejar, pois cederam tanto, foram pessoas que deixaram “para depois” o que queriam, que chegam ao ponto de não terem forças físicas para levantar da cama.

Andreneide Dantas

#depressão #apatia #tristeza #doença inconsciente

2 Comentários

  • Maria Devocionia Correia Neves 23 de setembro de 2016 at 00:25

    Concordo plenamente com a explicação do quadro de depressão aqui colocada.
    As nossas insatisfações, desejos,lutos…nos causam uma angústia constante.
    Nos leva ao emudecimento, tristeza, distanciamento de tudo e todos.
    O mundo fica cinza.
    Tudo é triste, vazio…

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  • Loree 29 de março de 2017 at 06:03

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