15 fev

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Depressão é um sintoma?

Depressão não é um sintoma no sentido analítico, porém um estado caracterizado por dor, tristeza e falta de vontade. Perda de brilho perde a cor que cobre o mundo com a tinta do desejo (Quinet)

Se conceituarmos a depressão como sintoma é medicalizá-la, considerar que ela é um significante cujo significado é uma doença que acometeu o indivíduo e precisa ser eliminada.

Para os psicanalistas é um dever ético descumprir o mandamento de que a dor da perda deve ser tratada com medicamentos.

O desencadeamento do estado depressivo, provocados pela perda daquilo que sustenta para um sujeito o seu ideal do eu, tem como efeito (Freud) “ uma perda do eu”, “empobrecimento da libido do eu “.

Não há deprimido que não se sinta mal.

Hoje essa autodepreciação toma o nome de “baixa estima”. Esse abalo no “eu ideal” sustenta o imaginário do sujeito na posição de objeto de amor e admiração do outro. Trata-se de uma perda do gozo fálico vinculado ao narcisismo do sujeito. Sob o império do “supereu” a auto depreciação se torna auto-acusação.

Depressão é o nome contemporâneo para os sofrimentos decorrentes da perda de lugar do sujeito junto a versão imaginária do Outro.

Lacan relaciona a depressão a uma posição especifica do sujeito, dimensão subjetiva, culpa por ceder em seu desejo. Desejo em psicanálise é por definição o inconsciente e seu objeto perdido. Depressivo é aquele que se deixa cair “aquele que cai antes da queda” (Mauro Mendes Dias).

Aquele que se deprime, sua culpa, intui que traiu à si mesmo, se traiu, diz Lacan, foi sempre na tentativa de responder a um ideal de Bem – o bem do outro à frente do bem do sujeito.

Maria do Carmo Mucciolo

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