09 mar

(Imagem retirada da internet para fins ilustrativos)

Quando atendemos crianças, primeiro recebemos os pais, para escutarmos qual é a queixa e descobrir de onde provém a demanda: se do médico, da escola ou dos próprios pais.

É mais comum que a indicação seja da escola, pois o professor atento, percebe quando algo não está bem no desenvolvimento educacional daquele aluno: que pode apresentar dificuldades de aprendizagem; problema em se inserir ou permanecer em grupo; apresentar comportamento de agressividade ou isolamento, etc.

Quando a indicação vem através do médico – geralmente pediatra – é porque a criança apresenta doenças repetitivas; se encontram constantemente com “viroses”; tem dificuldades na alimentação; se encontram abaixo ou acima do “peso”, ou quando percebem que a criança é indisciplinada.

O tratamento é indicado sempre que houver sofrimento.

Pois o corpo é afetado por tudo que sentimos, desde os sentimentos bons até os ruins. Uma vez que as palavras, tanto tem o poder de aliviar um sofrimento, quanto deixar cicatrizes profundas que podem obstaculizar o desenvolvimento do ser humano. “Uma inibição em uma criança pode ir ao ponto de bloquear os seus funcionamentos vitais e de crescimento”. (Françoise Dolto, psicanalista francesa).

Escutamos os pacientes, mesmo que eles sejam tão novos. Falamos com eles, que podem desenhar, jogar, encenar… e através dessas formas de expressão colocam em cenas situações de sofrimento ou até de equívocos em relação ao que escutaram, não compreenderam e fantasiaram e assim podem desfazer equivalências sintomáticas.

A criança fala sobre o que lhe acontece: o que ouviram dos pais, professores, na TV, nos jogos de computador, dos amigos, etc. Quando os pais são separados é muito importante que as crianças falem da angústia que sentem, da culpa que carregam por acreditar que é o responsável, e não é incomum que os assuntos mal resolvidos entre o ex-casal, afete a vida do filho.

Tudo o que acontece na vida de um ser humano desde antes dele nascer, é importante e deixa marcas nesse pequeno ser em desenvolvimento, que podem gerar angústias e afetar o desenvolvimento psíquico dela. Acarretando problemas de simbolização, na sua relação com a realidade, pois o afeto que não é expressado em palavras e elaborado pode perturbar somaticamente um sujeito.

Isso significa que o fato de uma criança ser filha de pais separados terá mais problemas que outras?

Não necessariamente, pois vai depender dos adultos que se ocupam da criança para que ela possa simbolizar o fato de não ter pais morando juntos. Nós somos seres linguísticos, lembrando mais uma vez Françoise Dolto, e a herança mais importante é a que é transmitida pelo discurso e comportamento dos pais. Percebemos isso, quando vemos os “padrões de comportamento’ que são repetidos de geração a geração através da repetição inconsciente.

A psicanálise liberta as crianças daquilo que elas ouviram e deixou marcas nocivas, é um lugar onde podem falar sobre o que sentem em vez de apresentar no seu corpo o que sofrem.

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