05 abr

(imagem retirada da internet para fins ilustrativos)

O desmentido da castração, pelo que Freud caracterizou da estrutura da perversão, significa que o sujeito perverso se cliva, segundo duas posições contraditórias, mas apesar disso simultaneamente afirmativas: de um lado ele reconhece a existência da castração, e ao mesmo tempo, por outro lado, nega-a em termos absoluto.

Essa clivagem se esclarece ao introduzirmos a dialética do ter e do ser a propósito do falo.

O homossexual perverso, afirma ao mesmo tempo, que tem o falo e que é o falo.

Porém a lógica do inconsciente é feita de tal modo, que sendo o falo ele não pode tê-lo. A perversão é a materialização no corpo do amor do outro, fixando a libido neste corpo.

Freud chamou toda a função na vida do homem de libidinização. Ex: o ato de deixar-se alimentar, leva a alimentação a ser pervertida pela sexualidade. A perversão fala do gozo sexual que se pode obter em presença de um objeto qualquer, sendo esse objeto uma imagem fixa, sem história. Uma imagem que tem como suporte um objeto que não se compartilha na vida amorosa, a não ser na solidão da fantasia.

Quando um pai na sua função de lei, não priva a criança da mãe, essa criança ficar à mercê dos caprichos maternos, essas exigências que vem da mãe, nos cuidados básicos com a criança, faz da criança objeto de satisfação dela (mãe) que restará enquanto perversão.

No fetichismo se trata de um objeto muito particular, que é a substituição do pênis que falta à mãe. Frente a percepção da ausência do falo feminino, o sujeito criança, se defende mediante uma divisão – uma corrente psíquica reconhece a castração, a outra desmente.

O fetiche protege o sujeito da angustia que sente frente a castração da mãe. O fetiche eleva o objeto ao sublime da coisa.

Psicanalista: Maria do Carmo Mucciolo

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