24 jul

A psicose como foraclusão do Nome-do-Pai é assinalada clinicamente pela invasão de uma significação de gozo infinito.

O que está foracluído no simbólico, como Nome-do-Pai, retorna no real, como gozo do outro.

Porque falamos tão pouco sobre a psicose? E o que podemos falar dela?

Na psicose, de uma forma geral, toda tentativa de cura, é uma tentativa de inserção no laço social, inclusão em algum discurso. A sua inclusão na sociedade não é simples. Deve-se respeitar a singularidade desse sujeito. Podemos incluí-lo no tratamento por duas vertentes que caminham juntas: a inclusão do sujeito do inconsciente, sua fala, sua história, seus sintomas, manifestações de sua singularidade, incluindo o sujeito no saber da sua patologia; por outro lado, faze-lo co-responsável por seu tratamento, essa inclusão se opõe a paternaliza-lo.

O psicótico está fora do discurso, mas não da linguagem, tem impossibilidade de rememorar, pois não há para ele o retorno do reprimido. O analista é para o psicótico, o sujeito suposto não saber. Oferece vazio para depositar seus significantes.

A psicose nos conduz às origens do sujeito que não desiste da sua comunicação, de que aqui, ou lá, no mundo todo “isso” fala dele.

Para Freud o delírio é uma tentativa de cura da foraclusão do Nome-do-Pai, que é esse vazio que Lacan nomeou como igual ao fracasso da metáfora paterna, que implica na relação com a linguagem, isto é sua orientação.

O psicótico se recusa, radicalmente, a renunciar as pulsões sexuais em função do outro, por recusar a lei simbólica e a castração.

Nós não podemos exigir do psicótico, a todo custo, o valor falido em nossa ordem social (como trabalho, sucesso, competição, competência) e sim, deixa-lo fazer sintoma, que pode ir do delírio à arte.

Maria do Carmo Mucciolo

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