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Toxicomanias – Um dos gozos da modernidade:

A linguagem é causa do sujeito e o inconsciente é o vestígio disto.
Sabemos que falar não é um ato sem consequências, pois dizer de uma forma ou de outra nos coloca em uma ou em outra posição. Quando falamos, esquecemos que temos um corpo, o fato mesmo de falar traz consequências. Temos necessidade de discurso e quando algo falha, acontece o que chamamos de restituições.

Dentro desta relação encontramos desde o delírio, lesão de orgão e também as drogas, como restituições daquilo que no simbólico está capenga. Como consequência, existe a inscrição no real do corpo, por escapar ao simbólico, pois quando alguma coisa está interrompendo o discurso, nosso corpo responde com suas dependências: ficando presa
dos sintomas de conversão, das enxaqueca, do estresse, do pânico ou das drogadependências. Toda vez que falamos com alguém, corremos o risco de cometer equívocos pois a palavra pode equivocar, pode confundir- mas também é a forma pela qual fazemos laços sociais. É diante do outro que sabemos sobre nós. É olhando que somos olhados, é falando que nos damos conta do que dizemos.
Então pergunto: o que acontece na experiência toxicomaníaca com o sujeito em relação à linguagem?
É sabido que a droga produz um novo vocabulário, novas expressões. Os sujeitos que são dependentes químicos produzem e utilizam novos signos, pronunciam palavras congeladas que só são entendidas por aqueles que pertencem ao ”meio”: entre os drogaditos, os toxicômanos, os drogados ou como se queria denominar. A toxicomania
faz uma espécie de curto-circuito com a palavra, a fala do sujeito fica cortada, não evoca nem ressoa mensagem alguma. Estes pacientes estão doentes da linguagem. Sua consciência e percepção são alteradas, as sensações do corpo são perturbadas.
A ciência e o capitalismo propõem uma forma de gozar igual para todos. Existe a produção de objetos técnicos para consumo maciço, à partir dos resto da ciência .Propõem também objetos técnicos que atravessam fronteiras e países com o objetivo de oferecer um ”bem” estar comum – como se fosse possível – que anularia a subjetividade
de cada um. Encontramos então, homens e mulheres gozando de seus eletrodomésticos e de seus carros possantes, que deixam de fora suas relações conjugais e familiares . Cada um se tranca em um compartimento da casa e se dedica a desfrutar de um gozo solitário. A ciência por sua vez oferece artifícios para os antigos limites do corpo. Limite do real do corpo . Tenta parar o envelhecimento, produzir bebês por fora da relação sexual, oferece a possibilidade de perfeição da espécie através da engenharia genética, etc. Hoje pode-se ”fabricar um bebê num laborátorio”. Para muitos precisa-se mais de dinheiro e de tecnologia do que do desejo de gerar filhos para tê-los.
Estes e outros artifícios provocam cada vez mais o fechamento do inconsciente. Cada vez mais as pessoas preferem a doença a ter que enfrentar o próprio desejo, afastam-no como o inferno do qual o sujeito não quer saber.
Seguem suas vidas valorizando cada vez mais os corpos. Tiram-se e colocam-se próteses e não se perguntam o porquê de estarem como estão. As questões subjetivas são deixadas de lado. Paralelamente ,à medida que vemos crescer o número de antibióticos, na mesma proporção cresce o número de novas doenças. A cada dia mais mulheres
lançam mão de artifícios para colocar e tirar seios artificiais e nesta mesma escala nunca houve tantos casos de mulheres com câncer de mama. E não é com campanhas que resolveremos os problemas.
No câncer existe a produção de uma série de células que se multiplicam iguais , o que vemos é a não diferenciação. Produção dos mesmos. No discurso destes pacientes escutamos um empobrecimento das palavras, não existe a diferenciação dos significantes, como se fosse possível com uma palavra falar várias coisas.
Para o que parece não ter limite, o sintoma vem circunscrever uma borda. Para o não limite do gozo, as toxicomanias fazem seu território. É justamente dos restos da ciência que qualquer produto pode transformar-se em uma droga. Temos nesta relação desde o crack, a cocaína, morfina ao chá de fita cassete – artifício utilizado para dar ”eletricidade” e que depois é acompanhado de um adormecimento que pode levar à morte . Portanto, qualquer objeto pode-se transformar em uma substância tóxica para aquele que já se encontra em um estado de vida degradado, que oferece seu corpo para outras inscrições que não são as significantes.
Escutamos dos pacientes toxicômanos que, antes da ingestão dos produtos tóxicos, seu discurso já estava ”drogado”. Frequentemente nos dizem: ” Minha vida é uma droga”, ”droga de vida”. Como poderiam não se tornar dependentes? A droga só veio para confirmar este dito. O que nos interessa é que os sujeitos dependentes químicos têm um impasse com a palavra, têm com a droga uma experiência de gozo que esmaga sua subjetividade. No lugar de um dizer existe um fazer, um ato. No lugar de uma palavra que pode por sua vez equivocar, existe a certeza das respostas fixas do corpo, quando ingerem as substâncias tóxicas. Depois, há a exigência para que estas respostas sejam repetidas, o que se obtém através da mania onde a palavra não tem limite e é substituída pelas drogas.
A toxicomania ou a adicção deixa o sujeito em um lugar supostamente escravizado por sua relação com a droga. Os pacientes acreditam que estão ”tomados”, e que não podem fazer nada pois estão ”capturados” por este ”amo”, por este ”senhor”. E nós sabemos que só existe o ”senhor” quando existe primeiro o escravo. Se aguém se coloca como
escravo, a droga pode ser imperiosa. Sabemos que a droga tem seu êxito, mas ela também fracassa e somente quando o segundo acontece é que somos procurados para que eles (toxicômanos) dêem seu testemunho do fracasso do gozo no qual se encontravam.
A droga produz um excesso, um mais gozar, um mais além, um ”barato”, que custa muito para o sujeito, às vezes custa sua própria vida. Ela não é causa de desejo e sim de gozo. Ela dá acesso ao gozo do próprio corpo escrevendo o autoerotismo. A toxicomania é uma forma de gozar auto-erótica como a que encontramos nos fenômenos
psicossomáticos, na anorexia e na bulimia, que surge quando o sujeito abre mão de estar com o outro como parceiro, substancialmente como parceiro sexual. Escutamos dos pacientes que eles se acompanham das drogas ou das doenças fazendo destas um companheiro inseparável como substituto para a relação sexual.
Aprendemos que os laços de discursos ”são feitos de um corpo a outro” (Lacan Seminário VI), aqui o que encontramos são os laços cortados, o sujeito prescinde da companhia do outro. Mesmo que no começo do uso das drogas tenha se pretendido usá-las para pertencer a alguma roda de amigos, o que acontece é a interrupção do laço com
os mesmos.
A toxicomania é um gozo que rechaça o grande Outro da linguagem, que recusa que o gozo do próprio corpo seja metaforizado pelo gozo do corpo do grande Outro. Desta forma não passa pelo gozo fálico, que é o gozo das palavras. Por isso podemos falar de um curto-circuito com as palavras do que não anda no discurso. O corpo do toxicômano é um
corpo entregue a um excesso inominável. O recurso à droga é uma maneira de fazer-se a cada dia um corpo estranho. Existe aqui um excesso pulsional. Excesso de droga, excesso de comida, enfim, excesso de gozo. Excesso este que não dá lugar para que a falta que é estrutural para todo ser falante apareça. Uma paciente disse: ”Com
a comida eu tento preencher um vazio…, um buraco que parece não ter fim. Por mais que eu coma não consigo, daí coloco para fora o que comi e como mais’. Estes pacientes comem para não se angustiar, se drogam para não se angustiar. Aqui a falta não tem inscrição simbólica. É por este motivo que qualquer objeto pode carregar a
ilusão de preenchê-la. Digo ilusão pois isso jamais seria possível.
”O sujeito faz um corpo estranho, ingerindo um ’corpo’ estranho” nos diz Sylvie Le Poulichet em seu livro ” O tempo na Psicanálise”. Ele lança mão da ingestão da substância tóxica para dar um limite ao corpo que não tinha antes. Limite este que podem encontrar tanto no encarceramento, na overdose, e ou na quebra dos laços familiares e
de trabalho. Geralmente só recorrem a um analista quando estão diante da quase certeza de terem chegado ao ”fim do poço”.
Estes pacientes também nos dizem que usam as drogas para: ”Tampar um buraco”, ”Preencher um vazio” e ”para se sentirem normais’. Em contrapartida escutamos de muitos pais de jovens viciados em drogas: ”Por que será que meu filho se droga, nós nunca deixamos faltar nada”, ou ”Demos tudo que nos pediu”. Tanto em um caso quanto no
outro acreditaram que poderiam tampar a falta e abolir a castração. A castração é justamente a possibilidade de que através do limite, nos livremos da loucura e do gozo nefasto. Poucos sabem que é impossível a felicidade completa, porque a completude não existe. E quando se acredita nisto, as consequências podem ser desastrosas.
Lançar mão dos narcóticos é uma das técnicas que o sujeito utiliza para paliar esta falta de felicidade, esta dor de existir comum a todos nós e para a qual, cada um encontra uma forma de ”enganar”.
Para alguns, é possível utilizar os recursos da língua, para outros, o que resta são os artifícios dos produtos que são oferecidos em grande escala pelos meios de consumo.
O êxtase, o flash que a droga revela e que a toxicomania tenta reproduzir cada vez mais, trata de anestesiar o corpo e satisfazê-lo em uma experiência de desaparecimento. ”Fico ausente”, ”Não sinto nada” ou, ”Quando cheiro não sinto dor”, são expressões que ouvimos diariamente desses pacientes. O fato mesmo de drogar-se desperta a
esperança de um gozo imediato que tenta retê-lo na experiência auto-erótica, como se o próprio corpo fosse circular, dele para ele mesmo.
Não podemos negar que a droga momentaneamente faz um chamado ao prazer, que tem sua eficácia contra as dores e possibilita alterações hormonais. Ela baixa as tensões, serve para desinibir, descontrair, possibilita para os tímidos os encontros amorosos. Mas, algo falha nesta experiência levando o sujeito à inércia, ao mal-estar, à quebra dos laços. Esta experiência reduz o corpo do sujeito ao silêncio. ”Para não sentir nada”. Para que fique como morto-vivo. Os pacientes quando nos procuram, trazem muitas vezes
como cartão de apresentação o: ”Sou toxicômano”, ”Sou drogado”. O que fazem – o fato de se drogar – toma o lugar do que lhe é mais particular, que é o seu nome. E não é fácil que cheguem até nossos consultórios. Esta identificação ”Sou toxicômano” fala a respeito da posição em que o sujeito se coloca, de ser ”isso” porque dizem que
que é assim que o outro o denominou. Ele é ”maconheiro”, ”ou drogado”. O outro o denomina e ele vai a este lugar respondendo a esta demanda. Em contrapartida existe todo o preconceito por parte dos demais, ”aquela família está bichada”, dizem, porque tem um filho que está dependente de drogas. Dão às drogas uma potência demoníaca como ”mal do século”. Acreditando que é um mal que deve ser extirpado, que o sujeito deve ser escondido e isolado do convívio com os outros. Algumas famílias temem que seus filhos sejam contaminados pelo que denunciam como a ”peste”. Assistimos a uma degradação das famílias, dos valores e da função do pai. Existe uma elasticidade dos limites, uma dificuldade de impô-los por parte dos pais. Acredita-se que para ser considerado um pai moderno terá que afrouxar as regras. Se não há limites operando em casa desde
cedo, existirá a procura por eles em outros lugares. Por sua vez só se conhece o lado ”nesfato” da droga algum tempo depois de usá-la, ou não. Pois sabemos que existem pessoas que as usam e não tornam-se dependentes. Então, podemos pensar que é porque elas prometem no início, seduzem e provocam sensações novas, que as
campanhas anti-drogas fracassam no mundo inteiro? Dizer para um jovem que não se drogue porque é ruim, vicia e pode matar, não faz com que o consumo diminua. E, na maioria das vezes, só recorrem a estes objetos para aplacar o mal estar no qual se encontram, ou para alcançar um limite.
Então qual é a possibilidade que a psicanálise põe em jogo? Com a nossa escuta apostamos para que a verdade que se põe em jogo nas toxicomanias apareça, que o paciente possa produzir novas ficções, que a intoxicação da língua na qual os pacientes se encontram, emerja. Que eles possam falar, se equivocar, cometer atos falhos, lapsos, produzir sonhos. Que deixem aparecer as formações do inconsciente, só assim o sujeito poderá se dar conta do que está falando, e se responsabiliza por seus atos. Assim , dará
oportunidade para que a angustia tenha lugar, pois só assim o sujeito pode fazer algo. A angústia –ao contrário do que se supõe- é o que permite que o sujeito produza, que ele caminhe.
O ato da fala do toxicômano no dispositivo analítico encontra uma parada quando se abre um abismo para que o corpo faça uma pergunta e não encontre uma resposta. O que antes era fixo, obtido através da droga, pode abrir equívocos e o sujeito procurar saber. Saber sobre seu corpo e seu gozo. Dirigindo seu sofrimento a um analista, que
lhe oferece sua escuta, com a intenção de possibilitar que este sofra os efeitos de seu dizer. Para que possa ler o que diz literalmente em seu discurso. O analista oferece então, ao paciente, que ele trate seu gozo por intermédio do discurso. O trabalho da análise é dar um lugar para que o sujeito possa fazer a operação de renunciar à droga para ter a palavra. Que tenha lugar para o gozo das palavras em detrimento do gozo auto-erótico, que é o gozo do próprio corpo.
Proibir a droga em termos de abstinência é mantê-la longe, sem fazer o luto pelo que seria perdê-la, nos diz Vera Ocampo. Na Clínica, o que acontece, é que a droga vai caindo na medida em que o paciente vai falando. Primeiro ele fala da droga, relata quantas vezes fumou, cheirou, se picou. Quando, como e com quem o fez. Aos poucos vai deixando aparecer as marcas dos impasses da linguagem, vai substituindo a droga por palavras e não mais por outras drogas.
Nesta substituição, deixa aparecer a falta que a droga tentava obturar.
Uma paciente, à medida que ia falando, tecendo sua história familiar diminuía o consumo da droga e pedia-me para vir mais vezes naquela semana. Precisava falar mais, na medida em que a angústia ia aparecendo. Aqui, estava se inscrenvendo o lugar para a castração, para os buracos, para os limites em relação ao que falava e não precisava mais colocar limites no real do seu corpo.
Substituir uma droga por outra – como acontece no auge da toxicomania e também na desintoxicação – faz com que o sujeito fique conhecedor das mais diversas sensações, mas logo denunciam esta ineficácia. É o que vemos acontecer nas constantes recaídas que os pacientes toxicômanos sofrem. Tentam de várias formas livrar-se das drogas, mas não sabem porque são dependentes. Um paciente disse: ”as drogas que me receitaram deixara-me pior, pois com estas fico com a língua dura, e quase não consigo falar”, quando era justamente o fato de não falar que o adoecia. Existem os tratamentos que vão pela via de rivalizar com a droga e que não deixam que a palavra que está esvaziada de significação apareça. Tiram o objeto droga que está servindo para algo. Se não servisse, eles não estariam fazendo uso. Fazem assim por não poderem, no momento, fazer de outro modo.
Descobrem na análise que quando podem falar de outra forma, também podem fazer de outra forma. Alguns analistas colocam como condição que o paciente deixe de
drogar-se para depois ir à análise. Esta questão é bastante contraditória, pois se alguém chega até o consultório do analista é porque não consegue deixar de se drogar . Se formos por esta via – de rivalizar com a droga – ficamos no mesmo nível que ela, aqui acontecerá uma disputa, onde o analista será destinatário deste ato, estabelecendo uma relação dual, onde teria que aparecer um terceiro ”enquanto simbólico”. Tanto o analista quanto o analisando passam para a droga uma potência que interrompe um dizer.
Como já disse antes, a droga vai caindo, à medida em que a palavra vai tendo um lugar para aquele sujeito. Uma paciente disse que quando saiu de uma sessão ia até a casa de amigos para fumar e cheirar e que se deu conta que não tinha feito isto somente quando se surpreendeu indo para sua casa. Disse ” ter errado o caminho”.
Sabemos que não se trata de erro de caminho, mas da surpresa de ter feito diferente, de ter escolhido fazer algo que não se drogar. Os pacientes muitas vezes não entendem o que acontece em sua vida quando estão em análise, justamente porque ocorrem mudanças que muitas vezes fogem à sua compreensão.
O analista não pode dizer para o paciente que ele não use drogas. O único que pode demandar é que um trabalho seja possível e que o paciente se organize para estar em condições de falar, de falar e de escutar. É comum que nas primeira sessões de análise, os pacientes realizem atuações, como por exemplo: que faltem às sessões, liguem e
deixem recados que não virão, que desmarquem os horários ou deixem recados descrevendo as sensações que estão sentido por estar ”chapados”; que escolham vestir roupas que mostrem as marcas no seu corpo das drogas injetáveis, etc. Fazem isto com a intenção de angustiar o analista já que neste momento ao invés de se angustiar,
estes pacientes tentam provocar o olhar do outro e angustiá-lo. Mas o analista não deve se colocar como destinatário da cólera e atuações do paciente. Estas atuações devem ser remetidas ao sujeito em forma de sua própria questão. O analista precisa estar em posição de escuta e não em outro lugar.
Enquanto fala, o analisando cria a ficção de um interlocutor, uma ficção necessária para a emergência das manifestações do inconsciente , para que seja constituído para ele um enigma do desejo do grande Outro: ”O que o outro quer?, onde ele encontrará a ancoragem necessária para o relançamento de seu próprio desejo.
Quando o analisando fala, perde algo do corpo na palavra. Pelo trabalho de sustentação dos significantes , o corpo se elabora no grande Outro, no grande Outro que é a linguagem.
Na análise, o mais gozar se sustenta essencialmente na palavra, causando o desejo, quanto na toxicomania este mais gozar está aderido a um produto da indústria.
Recordar supõe associar e estabelecer conexões com a história infantil de cada um. Na repetição, existe a ação : algo em vez de ser dito passa ao movimento do corpo. Freud nos ensina que o trabalho do analista é manter no terreno psíquico os impulsos que querem derivar ações, e transmitir pela recordação o que se deriva em ato.
A palavra é algo comum a todos, mas fazer da palavra uma prática de discurso não é comum a todos. A psicanálise possibilita àquele que sofre, que fale e se encontre no que diz e assim possa fazer diferente.E pode fazê-lo justamente pelo fato de falar, embora muitas vezes as pessoas ignorem isto e digam: ”não posso fazer de outra forma”. A surpresa que têm os pacientes é que porque eles falam, adoecem, mas também justamente pelo fato de falar, podem se curar.
O analista precisa dedicar seu tempo para ouvir esses pacientes, às vezes muito do seu tempo, emprestar seu ouvido para que eles escutem o que não conseguem, para que eles se dêem conta do que dizem e assim se responsabilizem por seus atos. Falando, elaborando suas angústias, o sujeito consegue, aos poucos, abrir seu corpo e entregá-lo à penetração da fala simbólica, aceitando aquelas perdas que o objeto droga tentava tampar. Fazendo metáfora com seu corpo através da fala, o sujeito o reinsere nas cadeias significantes do desejo. Pode estão descobrir qual é o seu desejo e não responder ao imperativo da modernidade, que é um gozo comum para todos.

Andreneide Dantas
Psicanalista Diretora da CLÍNICA ESCUTA ANALÍTICA
Coordenadora dos Cursos do INSTITUTO TEMPOS MODERNOS
Travessa Tutóia, 09 – Fone / Fax 3887-9462


Referências bibliográficas 

  • FREUD, Singmund
    Além do princípio do Prazer – Obras Completas
    Mal estar na civilização – Obras Completas
  • LACAN,Jacques
    Os quatros conceitos fundamentais–Seminário XI-Zahar
    Função e campo da palavra – Escritos Psicanálise e Medicina
  • POULICHET,Sylvie
    O tempo na Psicanálise – Zahar
  • PALACIOS – Susana – Tóxicos e Manias – UERJ
  • POMMIER – Gerard – A Neurose Infantil da Psicanálise – Zahar
    A Ordem Sexual – Zahar
  • HARARI, Roberto – De que trata la clínica Lacaniana? Catálogos
    Las dispaciones de lo inconciente – Amorrortu
  • SINATRA, E.S. e outros – Sujeito, goce y modernidad – Atuel

 

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