Se seu filho parece estranho, parece outra criança, não é mais carinhoso, silencioso e sim ruidoso, barulhento e ás vezes agressivo.

Seja bem-vindo, você é pai ou mãe de filhos ou filhas pré ou adolescentes. Por isso, é preciso que entenda que quando eles te contestarem, se oporem ao que você diz, ou quando até tentarem te “ridicularizar”, esse é um comportamento característico dessa fase.

Mas, isso não implica que vocês tenham que aceitar a agressividade e a falta de respeito. Ao contrário, devem sim, se posicionarem como aqueles que impõem as regras, que impõem os limites. Pois é terrível para os filhos, que seus pais sejam ou se comportem como seus amigos ou como submissos a eles.

Visto, que é preciso eles se rebelarem nessa fase, como vão fazer isso, se as condições não existirem?

Essa é uma fase de muita transformação. Existem as transformações corporais (“perde-se” o corpo infantil e “ganha-se” o corpo púbere com seus hormônios e delineamentos diferentes) e as sociais, onde eles são convocados a falarem em nome próprio, em vez de serem “falados” somente por seus pais. Existem também as mudanças psicológicas, onde será necessário que os adolescentes se afastem de seus pais, de suas figuras edípicas e enderecem parte do amor que sentiam por eles, para os outros fora da família: ídolos da música, do teatro, das novelas, dos filmes e para o parceiro de sexo.

Nesse momento nascem as paixões e paixonites adolescentes.

É característico também dessa fase, que os adolescentes para se afirmarem, discordem dos seus pais, e o pior que pode acontecer é que eles não tenham a quem se opor ou com quem se rebelar. Os pais que não conseguem impor os limites e forem permissivos, sem saberem, fazem grande mal, pois privam seus filhos de se rebelarem. E quando eles não têm quem os detenham em relação a avalanche das pulsões, não é verdade que eles ficam tranquilos, ao contrário, se angustiam e vão buscar o limite em outros, fora da família: a droga, a polícia, ás vezes a doença.

Vocês devem estar se perguntando que tudo isso parece uma contradição. Pois, por um lado, os filhos querem que vocês os apoiem em suas escolhas, por outro, querem que contestem, que digam “Não”. Querem que vocês os protejam, mas também querem que fiquem longe…

Mas é assim mesmo! É natural essa oscilação de sentimentos e desejos, já que essa é uma fase de reacomodação de tudo que lhe foi ensinado e vivido anteriormente. Essa fase é marcada como o grande período das contradições e tentativas de elaboração da fase de vida anterior – a fase da infância.

E se eles se apresentam como estranhos é porque se sentem assim, algumas vezes, pois estão acontecendo mudanças com seu corpo e com sua cabeça que não existiam antes.

E com tudo isso acontecendo, não é incomum que apareçam as dificuldades na escola. Pois eles passam algum tempo entregue aos seus pensamentos e fantasias e quando percebem, já perderam boa parte das explicações em sala de aula. Nessa fase é muito comum as primeiras notas baixas ou as rebeldias.

Como fazer para elaborar tudo isso?

É importante que vocês entendam, mais não justifiquem. Fiquem atentos, conversem, se interessem pelo que aconteceu. Procurem saber quais são as matérias que eles têm mais dificuldades e como podem ajudá-los a resolver essas questões?

Sem dúvida é de fundamental importância que falem com seus filhos, conversem, deixem claro que sentem amor e interesse por eles e pelo que eles fazem. Se ofereçam para ajudá-los, falem com os professores, com a escola. E se com tudo isso, mesmo assim persistirem os problemas, busquem ajuda!

A psicanálise é um recurso que existe, para que o jovem possa estar com um adulto que vai escutá-lo sem julgá-lo, e a medida em que ele for falando sobre o que lhe acontece e sobre o que ele faz, se distancia do conflito encontrando condições para elaborá-lo. Pois vão descobrir a causa inconsciente que está por “trás” de tudo isso.

Falando de suas dúvidas, de seus anseios, de seus medos e até de sua culpa (pelas fantasias e raiva dos pais) podem se tranquilizar. E a medida que forem falando do seu cotidiano vão enlaçando-o com o passado infantil, contam seus sonhos e verbalizam seus desejos, esses muitas vezes verbalizados pela primeira vez, pois estavam inconscientes. Falando sobre o que passa em sua cabeça e em seu coração podem elaborar suas emoções.

Assim, podem aprender que não precisam romper com seus pais, seus professores e com sua infância, pois existe uma continuidade entre o passado e o presente. E se afastar de uma fase e aceitar a seguinte, com suas dores e seus prazeres significa um sinal de crescimento, aceitação da castração, que é para todos! Descobrem também que precisam viver o luto do que perderam e aceitar sua nova realidade, com suas dores e seus amores.

Essa realidade também precisa ser aceita por vocês que são pais!

Andreneide Dantas

#adolescentes #pais #educação #transformaçõesadolescentes

Deixe um comentário