Bullying

O Bullying escolar foi estudado na década de 70 na Suécia e na de 80 na Noruega. No Brasil, a atenção voltada para o assunto é mais recente, contamos com algumas pesquisas feitas na região de São José do Rio Preto (interior de São Paulo) e no Rio de Janeiro. Nesses estudos, foi constatado que a incidência desse fenômeno nas escolas é de 45%, número bastante significativo.

Segundo o Instituto SM, o Brasil já ocupa, infelizmente, o primeiro lugar (Bullying) entre países como Espanha, Argentina, Chile e México.

É muito importante ressaltar que esse fenômeno acontece tanto em escolas públicas quanto privadas, isso significa que não é específico de nenhuma classe social, mas proveniente da maldade humana. Maldade que se “mostra” desde a mais tenra idade.

Não existe uma tradução para a nossa língua do termo Bullying, ele é inglês e deriva de Bully= valentão, brigão, tirano.

O que caracteriza o Bullying é o comportamento repetitivo e intencional de xingamentos, abusos, perseguições e/ou violência física, praticado por um ou vários garotos e ou garotas, contra um colega de escola.

Podemos encontrar esse tipo de comportamento maldoso em qualquer faixa etária, mas principalmente, entre adolescentes.Geralmente são três os que estão envolvidos nesse fenômeno: o que agride, o que é agredido e o que assiste. O perfil do que agride é de ser o “fortão”, o “valentão”, ou no caso das meninas, a mais “popular”. O que é escolhido para ser perseguido, geralmente é aquele que é mais novo, mais baixo, e aparenta ser mais fraco, mais quieto, passivo e submisso. Ou aquele que apresenta alguma diferença física que chame a atenção (muito magro, gordo, usa aparelho, óculos etc.). Ou ainda: o muito estudioso, portanto, mais introspectivo, por sua vez, o que assiste, o faz ou por se divertir com o fato, ou porque tem medo de ser a próxima vítima.

Enfim, os alunos que são os abusadores escolhem suas vítimas contando com o fato de que eles são mais frágeis e não vão se defender, e muitas vezes essas agressões são repetidas diariamente, por longos períodos de tempo. Os que são maltratados não contam para os professores e pais, por medo de sofrer as consequências. Inclusive, são ameaçados para que não contem.

É importante ressaltar que esse comportamento de Bullying não é simplesmente uma maldade, como as que são praticadas entre crianças e adolescentes, onde apelidam, xingam e brigam. Por ser frequente, ele é algo mais “covarde” e mais maldoso, praticado por quem também têm dificuldades psicológicas, que não tem limites, e que sentem uma espécie de prazer (gozo) com o que fazem, assim, extrapolam suas maldades para outros que sofrem com isso, abrindo um ciclo de repetições.

As consequências para os alunos que praticam Bullying, se não forem parados e tratados a tempo, podem evoluir mais tarde para a delinquência e marginalidade. Os que são abusados ficam com sequelas psicológicas graves, que podem se converterem em doenças no corpo (psicossomáticas), depressão, síndrome do pânico, anorexia, bulimia, e óbvio, dificuldades psicológicas que a impedem de pertencer a grupos, de estudar, etc. Na vida adulta podem ter dificuldade de se inserir no mercado de trabalho, no casamento etc. Em casos mais graves pode até levar ao suicídio.

Existe um estudo no Brasil feito pela psiquiatra Ana Beatryz Barbosa que escreve sobre o assunto apresentado no livro  “Bullying – Mentes Perigosas nas Escolas”. No qual inclusive cita, pessoas conhecidas na mídia, que sofreram Bullying na infância e tiveram a sorte e ajuda de algum adulto para superarem os traumas sofridos e hoje são conhecidos pelo sucesso que obtiveram no âmbito profissional. Dentre eles, temos: Bill Clinton (ex-presidente dos Estados Unidos), Madonna (cantora), David Beckham (jogador).

Porém, são poucos os  que sofreram Bullying e o superaram, existem tantos outros, espalhados pelo mundo inteiro que carregam as marcas físicas e psicológicas dos maus-tratos que sofreram quando crianças. Vale lembrar que o sofrimento foi infligido por outras crianças que também tinham dificuldades, provenientes muitas vezes de lares desestruturados, que não tiveram acesso a ajuda psicológica que precisavam.

Apesar deste fenómeno não ser novo e nem específico de uma classe social, hoje encontramos uma nova modalidade, que é o Bullying praticado na internet, chamado de Cyberbullying. Esse, muitas vezes, é mais difícil de conter, pois uma difamação praticada por um colega a outro na internet, rapidamente pode tomar proporções gigantescas.

É importante que os professores, monitores, bedéis e demais funcionários das escolas, fiquem atentos para perceberem quando isso acontece e demonstrem ser confiáveis ao reprimir tal violência.  Assim, as crianças se sentem protegidas e a encorajam para denunciar. Por sua vez, os pais devem ficar alertas para o comportamento dos filhos que não querem ir para a escola, que adoecem com frequência, apresentam vômitos ou diarréias, dores, mal-estar ou ainda, quando cai a produtividade na escola.  

Como vimos, é importante reconhecer esse acontecimento, falar a respeito com seus alunos, pais e professores. Quando detectarem, encaminharem as “vítimas” para tratamento psicológico e punir e tratar também os agressores.

 26 de outubro de 2010

 

Andreneide Dantas 
Psicanalista e Psicóloga

 

#escutaanalitica1

Fechar Menu