O desenho como mensagem

Os desenhos têm fundamental importância para o ser falante, desde o início da humanidade — ‘vide’ as pinturas rupestres, pictográficas, formas com as quais os povos representavam o mundo em que viviam e assim transmitiam uma mensagem.

A criança desde muito pequena desenha e nele representa o que ela vê, como ela enxerga e interpreta o seu entorno. É por isso que quando nos deparamos com os seus primeiros desenhos – os rabiscos — e a convidamos para falar sobre o que fizeram: poderá nos responder que ali estão: sua mãe, seu pai, ela, seus irmãos.

Naquele rabisco está representado o que ela vê, a representação psíquica do que ela enxerga e, também em relação ao que sente.

Por isso, essa forma de expressão é utilizada quando atendemos crianças, pois através dos desenhos, elas podem falar sobre o que fizeram, sobre suas dúvidas, seu sofrimento, e dessa forma colocarão em palavras o que desenharam e o que sentiram. E sem os desenhos alguns ditos não seriam possíveis de serem expressos.

É importante que os adultos que rodeiam a criança, promovam esses atos, para ela poder representar, através do rabisco ou do desenho, seus sentimentos.

O elogio serve como estímulo e a crítica pode funcionar como um estanque dessa produção.

Escutei de uma mãe que em vez de elogiar, criticou o desenho do filho e ainda pediu para que ele “caprichasse” mais da próxima vez. Ora, aquele foi o máximo que ele conseguiu fazer!

E tinha todo o esforço de um trabalho psíquico para ele fazer o que fez!

Então da próxima vez que seu filho desenhar, que tal perguntar-lhe o que ele produziu?

Pode também pedir para ele contar uma história sobre seu desenho… as pérolas que ele revelará serão surpreendentes!

Andreneide Dantas
Psicanalista e Psicóloga
Diretora da Escuta Analítica — Clínica de Psicanálise 

 

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