O psicanalista receita medicamentos?

Não medicamos, quem medica são os psiquiatras, e em alguns casos ela se fez necessária. Exploraremos esse assunto em outro vídeo.

O tratamento é feito através da escuta do psicanalista em relação ao discurso daquele que sofre. Através do relato do analisando, o analista escuta aquilo que escapa aos outros discursos: aquilo que ele revela nas entrelinhas do seu dizer.

Pois, falar de um jeito ou de outro, tem consequências diferentes.

Por trabalhar com o inconsciente, sabemos que ele não reconhece a ironia, a diferença, nem a passagem do tempo. Isso significa que um acontecimento traumático do passado pode atrapalhar ou até obstaculizar uma vida.

Trabalhando em análise, o paciente pode descobrir a verdade de seu sintoma, fazer conexões entre o que aconteceu em sua infância e o que faz hoje. Pode acessar lembranças que estavam reprimidas e elaborar sua história.

Falar alivia, e falar e escutar as causas inconscientes de seu dizer, possibilita que o sujeito se responsabilize pelo que diz, por suas escolhas e, também por seu sofrimento.

Nesse momento ele deixa de ser “vítima do outro” e não mais atribui ao destino ou a família o que lhe acontece.

Antes do advento da psicanálise, a subjetividade não era considerada, o que importava era somente o organismo.

A psicanálise reconhece e considera o sintoma do sujeito, seu corpo, seu inconsciente e sua singularidade. É por isso que cada caso é um em particular. Não existe uma resposta massiva, é cada um que vai elaborar sua história, descobrir qual é seu desejo e sua forma de “satisfação” sintomática e pulsional.

Dessa forma, descobre as determinações inconscientes e deixa de ser “manipulado por ele”.

Falando no dispositivo analítico, o analisando descobre que falar tem consequências, que a linguagem afeta seu corpo. Que o que diz ou deixa de dizer provoca doenças, inibições, paralisias, sintomas, rupturas de relações, depressões, ansiedade, etc.

Isso significa que as palavras não são meras palavras, elas são significantes e podem provocar reações no corpo e comportamento: podem fazer adormecer, anestesiar, agredir, deprimir, animar ou aliviar.

 

Andreneide Dantas

 

Texto criado para sequência de vídeos

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