Quem sou EU?

Esta é uma pergunta que todo ser falante se faz, porém, ela tem maior relevância na adolescência.

  • Quem sou eu?
  • Que corpo é esse?
  • O que aconteceu comigo?
  • Que sensações estranhas são essas que aconteceram com meu sexo?

 

Todas essas perguntas são próprias da fase de vida chamada adolescência, momento de passagem da infância para a idade adulta, momento de passagem que serve de “ponte” entre o conhecido da infância ao desconhecido que está por vir – vida adulta.

Essa passagem é marcada por transformações físicas e psíquicas. Transformações sentidas e vivenciadas no real do corpo, que amadurece e se transmuta em uma rapidez veloz, diferente das transformações que aconteciam no tempo da infância, onde era gradual e assimilada frente ao espelho. Essas transformações têm como consequência o direcionamento do contato ao outro como parceiro: momento de paqueras, “ficos” e namoros.

É característico também que o sentimento em relação aos pais também mude, pois, estes não terão mais a imagem de ideais.

O adolescente é aquele que escancara as angústias que pertencem a todo ser humano: o nascimento, o sexo e a morte. E isso se faz presente em uma fase de vida onde o sujeito tem uma crise de identificação, onde será preciso que ele busque novas identificações diferentes das que fizeram antes. Se antes, ele era falado por seus pais, passará a falar em nome próprio. Não por acaso precisa escrever seu nome repetidas vezes. Terá que buscar novos ideais, passarão a desejar novos conhecimentos, ideais diferentes do que seus pais almejaram.

E os pais como ficam nessa fase de vida? Como encaram que não tem para os seus filhos a imagem que tinham antes?

O luto a ser elaborado nessa fase implica tanto aos filhos, que precisam abandonar a forma como viam seus pais, quanto aos pais, que precisam aceitar a queda dessa imagem e estão envelhecendo.

Todas essas transformações “sacodem” o sujeito que não entende o que acontece com seu corpo e com seu psíquico, pois não reconhece mais sua imagem e por isso necessita ficar várias horas frente ao espelho para acostumar-se com essa nova imagem.

Esse novo real que irrompe não oferece mais as “garantias” de antes, e um trabalho psíquico é feito para eles poderem elaborar o desligamento da autoridade paterna e introjeção da lei, e aceitação da sexualidade com consequências.

Como disse antes, as questões que afligem aos adolescentes são comuns a todo ser falante, talvez por conta disso se justifique o fato de que provocam tanto “barulho”, incomodam a muitas pessoas, além dos pais. Porque eles gritam e escancaram angústias que estavam “adormecidas”, reprimidas, trancafiadas no mais íntimo do ser.

Nessa etapa de vida é feito um dos maiores trabalhos psíquicos segundo Freud, e quando acontece “algo” que atrapalha, as consequências podem ser desastrosas.

Por conta de tudo isso, é muito importante que eles possam ser escutados, para que elaborem esse novo modo de estar no mundo.

 

Andreneide Dantas
Psicanalista e Psicóloga

 

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