Stress

Muitos sintomas são atribuídos ao stress. Existe até uma tabela que quantifica o nível do stress e suas consequências no sono, no corpo, no sexo, humor e no trabalho. (revista Veja, julho 2001)

Geralmente o stress é ligado ao trabalho exaustivo, à pressão e exigências quanto a produzir cada vez mais no trabalho sem respeitar os limites do corpo do sujeito.

Muitos dirigentes de empresas exigem que os trabalhadores fiquem mais tempo no trabalho, inventam jantares depois do expediente e até mesmo que trabalhem em alguns finais de semana. Quase não existe tempo para o ócio, onde o sujeito pode aproveitar para passear e descansar, que é importante para se preparar para uma nova jornada de trabalho semanal.

De um lado temos as exigências da modernidade para que os empregados sejam cada vez melhores, falem várias línguas, tenham experiências, justificando que assim ganharão muito dinheiro para que possam ter cada vez mais. Porém, lhe retiram o tempo com o qual poderiam usufruir do que tem. De um outro lado temos a história de cada um, que é singular e que tem relação com sua infância.

Diante das exigências do mercado e do desconhecimento sobre seu desejo, muitas vezes não resta algo mais para o sujeito que ter um “piripaque” para dar-se conta que é um ser falante e que isto tem consequências no seu corpo.

Se o sujeito não sabe o que ele deseja, sobre o que ele faz em relação ao desejo inconsciente, poderá desenvolver vários sintomas que poderão ter o diagnóstico de stress.

É muito comum que crianças com alguns sintomas não sejam ouvidas na infância, pois seus pais acreditam que “com o tempo passa” ou “é só uma fase”. Quando se tornam adultos, começam as dificuldades de relacionamento com o grupo de amigos, com drogas e no trabalho. Nesta fase ligam seus problemas aos adultos e dizem que são os professores, chefes, namorados e amigos que são “culpados” por suas desavenças, falta de estímulo no trabalho, vida afetiva, etc.

O que existe é que cada vez mais os sujeitos não estão dando valor à palavra, a seu discurso. Acreditam que por serem falantes falam por falar, que a palavra é uma, e seu significado é outro.

Nunca a palavra esteve tão vazia de significação, e estamos vendo, em consequência disso, muitos sintomas e que o corpo do sujeito não é sustentado por seu desejo, mas por vitaminas, calmantes, sedativos, antidepressivos ou pelo bisturi médico. E cresce a cada dia doenças atribuídas ao trabalho.

Os profissionais, tendo seu discurso vazio, terão dificuldades em seus empregos, procurarão cada vez mais os serviços médicos para se ausentar de seu cotidiano na empresa.

Andreneide Dantas
Psicanalista e Psicóloga

 

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