Toxicomanias

A linguagem é causa do sujeito e o inconsciente é o vestígio disto, é o que nos ensinaram Freud e Lacan.

Sabemos que falar não é um ato sem consequências, pois dizer de uma forma ou de outra, nos coloca em posição diferente. Quando falamos esquecemos que temos um corpo e essa é uma das consequências. Temos necessidade de discurso e quando algo falha, acontece o que chamamos de restituições.

Dentro desta relação encontramos tanto o delírio e a lesão de órgão quanto as drogas como restituições daquilo que no simbólico está “capenga”. Isso significa que a inscrição no real do corpo tem lugar quando algo escapa ao simbólico, pois quando alguma coisa está interrompendo o discurso, nosso corpo responde com suas dependências: tornando-se “presa” dos sintomas de conversão, das enxaquecas, do estresse, do pânico ou das drogadependências.

Toda vez que falamos com alguém corremos o risco de cometer equívocos, pois a palavra pode equivocar, pode confundir. Também é através da nossa fala que fazemos laços sociais. É diante do outro que sabemos sobre nós, é olhando que somos olhados, é falando que nos damos conta do que dizemos.

Então pergunto: o que acontece na experiência toxicomaníaca com o sujeito em relação à linguagem?

É sabido que a droga produz um novo vocabulário, novas expressões. Os sujeitos que são chamados de “dependentes químicos” produzem e utilizam novos signos, pronunciam palavras “congeladas” que são entendidas por aqueles que pertencem ao meio: entre os drogaditos, os toxicômanos, os drogados, nóias etc. Como se autodenomimam.

Existe uma espécie de curto-circuito com a palavra, a fala do sujeito fica cortada, não evoca nem ressoa mensagem alguma. Esses pacientes estão “doentes” da linguagem, sua consciência e percepção são alteradas, as sensações do corpo são perturbadas.

A ciência e o capitalismo propõem uma forma de gozar igual para todos. Existe a produção de objetos técnicos para consumo maciço. Encontramos homens e mulheres gozando de seus aparelhos tecnológicos (que Lacan chamou de gadgets) e de seus carros possantes, que deixam de fora suas relações conjugais e familiares. Cada um se tranca em um compartimento da casa e se dedica a desfrutar de um gozo solitário.

Também encontramos artifícios e técnicas para os limites do real do corpo, na tentativa de parar o envelhecimento, oferecer a possibilidade de “perfeição” da espécie através da engenharia genética etc. E muitas vezes não sobra espaço para que cada um se pergunte sobre o seu desejo.

Se por um lado existe um avanço, por outro, provocam cada vez mais o fechamento do inconsciente, onde muitos escolhem (de forma inconsciente) a doença, em vez de enfrentar o próprio desejo, que muitas vezes causa medo. E dessa forma, seguem suas vidas valorizando cada vez mais a biologia de seus corpos e deixam de fora as questões subjetivas.

Paralelamente à medida que vemos crescer o número de antibióticos, na mesma proporção cresce o número de novas doenças letais, como o câncer, onde existe a produção de uma série de células que se multiplicam de forma igual, sem diferenciação. 

É interessante notar no discurso desses pacientes um empobrecimento das palavras, não existe a diferenciação dos significantes, como se fosse possível com uma palavra falar várias coisas.

Para o que parece não ter limite, o sintoma vem circunscrever uma borda. Para o não limite do gozo, as toxicomanias fazem seu território. É justamente dos restos da ciência que qualquer produto pode transformar-se em uma droga. Temos nesta relação desde o crack, a cocaína, a morfina, ao chá de fita cassete, (nova droga usada para dar eletricidade e que é acompanhada de um adormecimento que pode levar à morte) Segundo relato de alguns pacientes. Portanto, qualquer objeto pode se transformar em uma substância tóxica para aquele que já se encontra em um estado de vida degradado, que oferece seu corpo para outras inscrições que não as significantes (simbólicas).

Escutamos dos pacientes toxicômanos que antes da ingestão dos produtos tóxicos seu discurso já estava drogado. Frequentemente nos dizem: ”minha vida é uma droga”,droga de vida”. Como poderiam não se tornar dependentes? A droga só veio para confirmar esses ditos. Lembrando Freud, primeiro o sujeito cede nas palavras e depois nos atos.

O que nos interessa enfatizar é que os sujeitos que se tornam dependentes químicos têm um impasse com a palavra, estabelecem com a droga uma experiência de gozo que esmaga sua subjetividade. No lugar de um dizer, existe um fazer, um ato. No lugar de uma palavra (que pode equivocar) existe a certeza das respostas fixas do corpo (ingestão das substâncias tóxicas). Depois, existe a exigência para que essas respostas sejam repetidas (mania), pois como a palavra não tem lugar é substituída pelas drogas.

A toxicomania ou adicção deixa o sujeito em um lugar supostamente escravizado por sua relação com a droga. Os pacientes acreditam que estão tomados, e que não podem fazer nada pois estão capturados por esse amo, por este senhor. E nós sabemos que só existe o senhor quando existe o escravo. Se alguém se coloca como escravo, a droga pode ser imperiosa. E assim como a droga tem seu êxito, ela também fracassa e somente quando o segundo acontece, é que somos procurados para que eles (toxicômanos) dêem seu testemunho do fracasso do gozo no qual se encontravam.

A droga produz um excesso, um mais gozar, um mais além, um barato, que custa muito caro para o sujeito, às vezes custa sua vida. Ela não é causa de desejo e sim de gozo. Dá acesso ao gozo do próprio corpo remetendo ao autoerotismo. Que tem como consequência não estar com o outro como parceiro, substancialmente como parceiro sexual. É o que testemunham os pacientes quando nos dizem que se acompanham das drogas ou das doenças, fazendo delas um companheiro inseparável. Fato que Freud já havia formulado que o sintoma é o substituto de uma outra satisfação: a sexual.

Aprendemos que os laços de discursos são feitos de um corpo a outro (Lacan Seminário VI) e, nesse caso, o que encontramos são os laços cortados, onde o sujeito prescinde da companhia do outro. E mesmo que no começo do uso das drogas tenha pretendido usá-las para pertencer a alguma roda de amigos, o que acontece é a interrupção do laço, pois a satisfação buscada é outra.

A toxicomania é um gozo que rechaça o grande Outro da linguagem, que recusa que o gozo do próprio corpo seja metaforizado pelo gozo do corpo do grande Outro. Dessa forma não passa pelo gozo fálico, gozo das palavras. Por isso, podemos falar de um curto-circuito com as palavras do que não anda no discurso. O corpo do toxicômano é um corpo entregue a um excesso inominável.

O recurso à droga é uma maneira de fazer-se a cada dia um corpo estranho. Existe aqui um excesso pulsional: excesso de droga, de comida, enfim, de gozo por não haver lugar para que a falta que é estrutural para todo ser falante apareça. Uma paciente que sofre de bulimia disse: ”Com a comida eu tento preencher um vazio…, um buraco que parece não ter fim. Por mais que eu coma não consigo, daí coloco para fora o que comi e como mais’. Esses pacientes comem para não se angustiar, se drogam para não se angustiar. Aqui a falta não tem inscrição simbólica. É por esse motivo que qualquer objeto pode carregar a ilusão de preenchê-la.

O sujeito faz um corpo estranho, ingerindo um ’corpo’ estranho” nos diz Sylvie Le Poulichet em seu livro O tempo na Psicanálise. Ele lança mão da ingestão da substância tóxica para dar um limite ao corpo, que não tinha antes. Limite que pode encontrar tanto no encarceramento, na overdose ou na quebra dos laços familiares e de trabalho. Geralmente só recorre a um analista quando está diante da quase certeza de terem chegado ao fim do poço.

São pacientes que dizem que usam drogas para: Tampar um buraco, Preencher um vazio e Para se sentirem normais. Em contrapartida, escutamos de muitos pais de jovens viciados em drogas: Porque será que meu filho se droga, nós nunca deixamos faltar nada, ou Demos tudo que nos pediu. Tanto em um caso quanto no outro, acreditaram que poderiam tampar a falta e abolir a castração. A castração é justamente a possibilidade de que através do limite, nos livremos da loucura e do gozo nefasto. Pois a felicidade completa e a completude, não existe. E quando se acredita nisto, as consequências podem ser desastrosas.

Lançar mão dos narcóticos é uma das formas que o sujeito utiliza para paliar esta falta de felicidade, esta dor de existir comum a todos nós e para a qual cada um encontra uma forma de se enganar.

Para alguns é possível utilizar os recursos da língua, para outros o que resta são os artifícios dos produtos que são oferecidos em grande escala pelos meios de consumo.

O êxtase, o flash que a droga revela e que a toxicomania tenta reproduzir cada vez mais, trata de anestesiar o corpo e satisfazê-lo em uma experiência de desaparecimento. Fico ausente, Não sinto nada ou, Quando cheiro não sinto dor, são expressões que ouvimos diariamente desses pacientes. O fato mesmo de drogar-se desperta a esperança de um gozo imediato que tenta retê-lo na experiência autoerótica.

Não podemos negar que a droga momentaneamente faz um chamado ao prazer, que tem sua eficácia contra as dores e possibilita alterações hormonais. Ela baixa as tensões, serve para desinibir, descontrair, possibilita para os tímidos os encontros amorosos. Mas, algo falha nesta experiência levando o sujeito à inércia, ao mal-estar, à quebra dos laços. Esta experiência reduz o corpo do sujeito ao silêncio. Para não sentir nada. Para que fique como morto-vivo.

Os pacientes quando nos procuram, trazem muitas vezes como cartão de apresentação o: Sou toxicômano, Sou drogado. Aqui, o fato de se drogar toma o lugar do que lhe é mais particular, que é o seu nome. E não é fácil que cheguem até nossos consultórios. A identificação, “Sou toxicômano’ revela a posição em que o sujeito se coloca. ”Ele é “maconheiro”, ”drogado”. O Outro o denomina e ele responde a esta demanda. Em contrapartida existe todo o preconceito por parte dos demais, ”aquela família está bichada”, dizem, porque tem um filho que está dependente de drogas. Dão às drogas uma potência demoníaca como, “mal do século”. Acreditando que é um mal que deve ser extirpado, que o sujeito deve ser escondido e isolado do convívio com os outros. Algumas famílias temem que seus filhos sejam contaminados pelo que denunciam como a ”peste”. Assistimos a uma degradação das famílias, dos valores e da função do pai. Existe uma elasticidade dos limites, uma dificuldade de impô-los por parte dos pais. Acredita-se que para ser considerado um pai moderno terá que afrouxar as regras. Se não há limites operando em casa, desde cedo, existirá a procura por eles em outros lugares.

As consequências ou o lado “nefasto” da droga aparece somente algum tempo depois. Então, podemos pensar que é porque elas prometem no início, seduzem e provocam sensações novas, que as campanhas antidrogas fracassam no mundo inteiro? Dizer para um jovem que não se drogue porque é ruim, vicia e pode matar, não faz com que o consumo diminua. E, na maioria das vezes, só recorrem a estes objetos para aplacar o mal-estar no qual se encontram.

E qual é a possibilidade que a psicanálise põe em jogo?

Com a nossa escuta apostamos para que a verdade que se põe em jogo nas toxicomanias apareça, que o paciente possa produzir novas ficções, que a intoxicação da língua na qual os pacientes se encontram, emerja. Que eles possam falar, se equivocar, cometer atos falhos, lapsos, produzir sonhos. Que deixem aparecer as formações do inconsciente, só assim o sujeito poderá se dar conta do que está falando, e se responsabiliza por seus atos. Assim, terá a oportunidade para que a angústia tenha lugar, pois só assim o sujeito pode fazer algo. A angústia (ao contrário do que se supõe) é o que permite que o sujeito produza, que ele caminhe.

O ato da fala do toxicômano no dispositivo analítico encontra uma parada quando se abre um abismo para que o sujeito faça uma pergunta e não encontre uma resposta. O que antes era fixo, obtido através da droga, pode abrir equívocos e o sujeito procurar saber. Saber sobre seu corpo e seu gozo. Dirigindo seu sofrimento a um analista, que lhe oferece sua escuta, com a intenção de possibilitar que ele sofra os efeitos de seu dizer. Para que possa ler o que diz literalmente em seu discurso sem palavras. O analista possibilita que o paciente trate seu gozo por intermédio da fala. O trabalho da análise é dar um lugar para que o sujeito possa fazer a operação de renunciar à droga para ter a palavra. Que tenha lugar para o gozo das palavras em detrimento do gozo autoerótico, que é o gozo do próprio corpo.

Proibir a droga em termos de abstinência é mantê-la longe, sem fazer o luto pelo que seria perdê-la, nos diz Vera Ocampo. O que acontece na clínica é que a droga vai caindo na medida em que o paciente vai falando. Primeiro ele fala da droga, relata quantas vezes fumou, cheirou, se picou. Quando, como e com quem o fez. Aos poucos, vai deixando aparecer as marcas dos impasses da linguagem, vai substituindo a droga por palavras e não mais por outras drogas.

Nesta substituição, deixa aparecer a falta que a droga tentava obturar.

Uma paciente, à medida que ia falando, tecendo sua história familiar diminuía o consumo da droga e pedia-me para vir mais vezes naquela semana. Precisava falar mais, na medida em que a angústia ia aparecendo. Aqui, estava se inscrevendo o lugar para a castração, para os buracos, para os limites em relação ao que falava e não precisava mais colocar limites no real do seu corpo.

Substituir uma droga por outra – como acontece no auge da toxicomania e, também na desintoxicação – faz com que o sujeito fique conhecedor das mais diversas sensações, mas, logo denunciam esta ineficácia. É o que vemos acontecer nas constantes recaídas que os pacientes toxicômanos sofrem. Tentam de várias formas livrar-se das drogas, mas não sabem porque são dependentes. Um paciente disse: ”as drogas que me receitaram, deixara-me pior, com elas fico com a língua dura e quase não consigo falar”, quando era justamente o fato de não falar que o adoecia.

Descobrem na análise que quando podem falar de outra forma, também podem fazer de outra forma. Alguns tratamentos colocam como condição que o paciente deixe de drogar-se para depois ir à análise. Esta questão é bastante contraditória, pois se alguém chega até o consultório do analista é porque não consegue deixar de se drogar. Se formos por esta via – de rivalizar com a droga – ficamos no mesmo nível que ela, aqui acontecerá uma disputa, onde o analista será destinatário deste ato, estabelecendo uma relação dual, onde teria que aparecer um terceiro enquanto simbólico. Tanto o analista quanto o analisando passam para a droga uma potência que interrompe um dizer.

Como já disse antes, a droga vai caindo à medida em que a palavra vai tendo um lugar para aquele sujeito. Uma paciente disse que quando saiu de uma sessão, ia até a casa de amigos para fumar e cheirar, e que se deu conta que não tinha feito isto somente quando se surpreendeu indo para sua casa. Disse, ”ter errado o caminho”. Sabemos que não se trata de erro de caminho, mas da surpresa de ter feito diferente, de ter escolhido fazer algo que não se drogar. Os pacientes muitas vezes não entendem o que acontece em sua vida quando estão em análise, justamente porque ocorrem mudanças que muitas vezes fogem à sua compreensão.

O analista não pode dizer para o paciente que ele não use drogas. O único que pode demandar é que um trabalho seja possível e que o paciente se organize para estar em condições de falar e de escutar. É comum que nas primeiras sessões de análise, os pacientes realizem atuações, como por exemplo: que faltem às sessões, liguem e deixem recados que não virão, que desmarquem os horários ou deixem recados descrevendo as sensações que estão sentido por estarem chapado”; que escolham vestir roupas que mostrem as marcas no seu corpo das drogas injetáveis etc. Fazem isto com a intenção de angustiar o analista, já que neste momento em vez de se angustiar, tentam provocar o olhar do outro e angustiá-lo. Mas o analista não deve se colocar como destinatário da cólera e atuações do paciente. Estas atuações devem ser remetidas ao sujeito em forma de sua própria questão. O analista precisa estar em posição de escuta e não em outro lugar.

Enquanto fala, o analisando cria a ficção de um interlocutor, uma ficção necessária para a emergência das manifestações do inconsciente, para que seja constituído para ele um enigma do desejo do grande Outro: O que o outro quer? No qual ele encontrará a ancoragem necessária para o relançamento de seu próprio desejo.

Na análise, o mais gozar se sustenta essencialmente na palavra, causando o desejo, enquanto na toxicomania este mais gozar está aderido a um produto da indústria.

Recordar supõe associar e estabelecer conexões com a história infantil de cada um. Na repetição, existe a ação: algo em vez de ser dito passa ao movimento do corpo. Freud nos ensina que o trabalho do analista é manter no terreno psíquico os impulsos que querem derivar ações, e transmitir pela recordação o que se deriva em ato.

A palavra é algo comum a todos, mas fazer da palavra uma prática de discurso não é comum a todos, como enfatizou Freud. A psicanálise possibilita àquele que sofre, que fale e se encontre no que diz e assim possa fazer diferente. E pode fazê-lo justamente pelo fato de falar, embora muitas vezes as pessoas ignorem isto e digam: ”não posso fazer de outra forma”

O analista precisa dedicar seu tempo para escutar esses pacientes, às vezes muito do seu tempo, para que eles escutem o que não conseguem, para que eles se deem conta do que dizem e assim se responsabilizem por seus atos. Falando, elaborando suas angústias, o sujeito consegue, aos poucos, abrir seu corpo e entregá-lo à penetração da fala simbólica, aceitando aquelas perdas que o objeto droga tentava tampar. Fazendo metáfora com seu corpo através da fala, o sujeito o reinsere nas cadeias significantes do desejo. Pode descobrir qual é o seu desejo e não responder ao imperativo da modernidade, que é um gozo comum para todos.

Andreneide Dantas 2004

Psicanalista Diretora da CLÍNICA ESCUTA ANALÍTICA

Coordenadora de Cursos do INSTITUTO TEMPOS MODERNOS

Referências bibliográficas

FREUD, Sigmund

  • Além do princípio do Prazer – Obras Completas
  • Mal-estar na civilização – Obras Completas

LACAN,Jacques

  • Os quatros conceitos fundamentais–Seminário XI-Zahar
  • Função e campo da palavra – Escritos Psicanálise e Medicina

POULICHET,Sylvie

  • O Tempo na Psicanálise – Zahar
  • PALACIOS – Susana – Tóxicos e Manias – UERJ
  • POMMIER – Gerard – A Neurose Infantil da Psicanálise – Zahar
  • A Ordem Sexual – Zahar
  • HARARI, Roberto – De que trata la clínica Lacaniana? Catálogos
  • Las dispaciones de lo inconciente – Amorrortu
  • SINATRA, E.S. e outros – Sujeito, goce y modernidad – Atuel

 

 

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